quando eu era invisível

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Sejam bem-vindos à mais recente crónica aqui do espaço! Quem me conhece sabe que eu tenho dois amores, a moda e a literatura, e como se já não bastasse escrever periodicamente para vocês sobre as banalidades da minha vida e o mundo que me rodeia, decidi inserir mais um tópico que me acompanha todos os dias – os livros! Aqui vão poder ver o que ando a ler e claro, ficar a saber a minha opinião sobre o livro que terminei! Para começar trago-vos uma narrativa baseada numa história verídica, Quando eu era invisível por Martin Pistorius, uma batalha impressionante de um menino, jovem e adulto preso dentro do seu próprio corpo.

Martin era um menino normal como qualquer outro, corria, brincava, crescia, feliz e saudável rodeado pelos seus amigos e família, sem nunca dar ou ter quaisquer sintomas e sinais da doença que iria mudar por completo a sua vida. A dada altura começou a sentir-se fraco, comia cada vez menos e ia perdendo a mobilidade de dia para dia ao passo que as dores aumentavam, por fim acabou por entrar em estado vegetativo, diziam os médicos, sem diagnóstico aparente nem nome para a doença que lhe acometera. Encerrado num corpo e numa cama, imóvel, lentamente, foi recuperando a consciência, mas não conseguia comunicar de maneira alguma, nem uma palavra, nem um gesto,não havia maneira de mostrar aos outros que ele ainda estava ali, pleno, independentemente da condição do seu corpo. Foi então que Martin se começou a sentir invisível, incapaz do que quer que fosse ia presenciando o que se passava à sua volta, inclusive os problemas pelos quais a sua família atravessava, os seus irmãos ainda perdidos com tudo o que se estava a passar e os seus pais à beira de um divórcio, a pressão era demasiada para todos. Mas Martin nunca desistiu de viver, contava os dias e as horas, observava e ouvia tudo o que o rodeava à espera que alguém captasse algum sinal nos seus olhos de que ele estava ali, consciente. A sua persistência foi rainha e certo dia uma das enfermeiras que o cuidava conseguiu ver além do corpo imóvel de que se encarregava, prestando atenção às palavras que saltavam do olhar dele, e foi aí que se deu início ao extraordinário percurso de vida deste jovem preso num corpo inerte e sem qualquer reação. Martin foi então encaminhado para uma avaliação das suas capacidades mentais, até esta primeira avaliação guardou silenciosamente e em sofrimento o seu segredo por 12 anos, agora tinha finalmente a oportunidade de mostrar ao mundo que ainda estava desperto.

Essa foi apenas a primeira avaliação de Martin, após a qual os seus pais recuperaram a fé fazendo todos os possíveis e até os impossíveis para ajudar o seu filho a recuperar o máximo possível, tudo o que ele queria porém era a capacidade de comunicar com os outros. – “A comunicação é uma das coisas que nos torna humanos. E eu sinto-me honrado por me terem dado a oportunidade de comunicar.” – Entre a sua casa lares e centros de saúde Martin foi vivendo a sua vida cheias de altos e baixos, aos poucos foi descobrindo novas maneiras de comunicar, o seu corpo também foi ficando mais forte, conseguiu até completar os anos de ensino que deixou para trás. Uma batalha atrás da outra foi-se habituando e encarando as adversidades que a sua condição lhe proporcionara sem nunca desistir de tentar. Sofreu abusos, físicos, sexuais, verbais, desejou a morte, experimentou mil e um programas de comunicação assistida, deu palestras, arranjou um emprego, apaixonou-se… De um menino completamente dependente a adulto licenciado e autodidata, Martin Pistorius tornou-se num caso raro, um verdadeiro milagre segundo alguns, e vive hoje uma vida feliz junto do amor da sua vida.

Escusado será dizer que gostei imenso deste livro, e claro que recomendo caso contrário não estaria aqui a falar dele. É muito fácil de ler porque por sabermos que se trata de uma história verídica acabamos por nos agarrar mais a ele, falo por mim que queria saber quão longe chegaria a sua recuperação o mais rápido possível. O pormenor do livro é também impressionante, numa fase inicial é menos detalhado, no entanto quando Martin começa a frequentar um psicólogo e decide abrir a caixa de pandora do seu passado, é de louvar a coragem que tem para retratar tão minuciosamente cada episódio dos abusos de que foi vítima… Uma história triste com um final feliz, que mais se podia pedir para uma boa leitura?

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2 thoughts on “quando eu era invisível

  1. Its such as you read my mind! You appear to know so much
    about this, like you wrote the guide in it or something. I feel that you could do with some p.c.
    to drive the message home a bit, but other than that, that is wonderful
    blog. An excellent read. I will definitely be back.

  2. This is what we need – an insight to make evenroye think

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