mind gushes #5

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Todos os dias eu enfrento os meus monstros sem que ninguém saiba. Todos os dias me assombram as memórias do que fui e fiz e do que quis ser e não consegui. Todos os dias as minhas lutas começam no momento em que abro os olhos para o mundo, e por vezes até antes de despertar já me consomem as preocupações que assolam a minha mente e arruínam o meu descanso… Existe a ideia (errada) de que o sono é o melhor escape, enganam-se, quando caio nele sonho, e sonhar é sofrer!

Há uma certa nostalgia em arrastar o meu corpo da cama e aceder à rotina diária do ser humano, não tenho bem a certeza se ainda pertenço a essa categoria mas sei que estou rodeada por eles e sei que tenho de me camuflar e pertencer se quero tentar viver. Então desperto, corro para o banho, como, visto-me, penteio o cabelo, escondo as olheiras da falta de descanso mental com a magia da maquilhagem, abro o armário, escolho a máscara desse dia e, por norma, saio à rua com um sorriso encomendado e uma felicidade ilusória. Digamos que o universo não conspira propriamente a meu favor, mas eu tento acreditar numa vida após a morte, e tento manter uma atitude positiva, já não sei se para convencer os outros e os impedir que me incomodem ou se para me convencer a mim própria que vale a pena continuar a lutar.

Há dias em que de facto a esperança me acolhe nos seus abraços, costumo referir-me a eles como as ditas melhoras da morte, porque imediatamente a seguir vêm os dias em que o cansaço me arranca os cabelos, a tristeza me esmurra o estômago, volta aquela sensação de solidão e a saudade abre as comportas da minha alma que se desfaz em gotas de água salgada. Brotam rios dos meus olhos que desaguam nos meus lábios e aquele sabor a mar despoleta um turbilhão de lembranças que de alguma maneira me fazem sorrir. Enxugo as lágrimas ou simplesmente deixo-as secar no meu rosto, existe um certo ‘prazer em sentir a pele craquear como se consumisse as cicatrizes e eliminasse os caminhos da infelicidade. Agora sei, finalmente que sou capaz de lidar com estas quedas sem me refugiar na angústia da cama e sem me esconder na escuridão. Talvez fosse mais fácil fugir, desaparecer e esquecer todas as mágoas, todos os tombos. Fingir que não existe nem nunca existiu um fundo sem fim. Mas porquê disfarçar ou omitir todos os arranhões e todas as marcas das minhas batalhas se foram elas que me trouxeram até onde estou hoje e fizeram de mim aquilo que sou?

Posso não agradar ao mundo, não quero saber, é apenas a mim que devo satisfações. Sou um daqueles seres que sente tudo tão extremamente que todo o sentimento acaba por ser dor e sei, por fim, que só eu me posso destruir.

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