mind gushes #2

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Acordo a meio termo, corpo ainda letárgico, mente já desperta. Acho que essa nunca chegou a adormecer. E arrasto as pálpebras enquanto tento ganhar controlo sobre o meu próprio corpo que já nem sinto como meu, ele é cada vez mais dono de si e eu estou cada vez mais afastada de mim. Tudo aquilo de que fui feita vai-se separando em operações químicas e físicas, reações que desconheço insistem em despoletar dentro de mim sentimentos que estranho uma e outra vez e que por mais que tente não consigo decifrar.

Finalmente consigo abrir os olhos mas ainda durmo por dentro, este cansaço que tenho sentido e vou sentindo sono nenhum consegue curar. Estou honestamente cansada de sentir tudo tão intensamente.

Alheio-me, ou pelo menos tento alhear-me ao que se está a passar na tentativa de conseguir descansar, corpo e alma, mas esta máquina que é o meu cérebro não veio com comando, não dá para desligar, fumega, de tanto trabalhar (por vezes em seco) fumega, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Não há um mês que passe e eu não me sinta mais cansada que o anterior. Pensamentos sem nexo, ideias irreais, projetos para o ar, filmes, nostalgias, memórias, encenações, desejos, tudo a mil à hora, tudo de uma vez, tudo, tudo, tudo.

Só precisava de um minuto cheio de nada, um momento longe de tudo e fora de mim.

Dormir já não é sinónimo de repouso, dormir é um escape. Aquelas horas que antecedem o sono são por vezes mais exaustivas que todo o resto do dia e as poucas em que o sono lá consegue acometer permitem-me viver mais um dia, levantar-me mais uma vez, continuar a controlar por alguns escassos momentos o meu corpo. Mas isto não é vida para ninguém, digo-o e repito-o a mim mesma todas as noites e todas as manhãs, e todas as noites poiso a cabeça na almofada orgulhosa de ter chegado até ali, e todas as manhãs me encho de um sentimento que julgo ser esperança mas que já nem consigo distinguir do que é rotina.

Já não sonho, já não vagueio na fantasia. Pior que não sonhar acordado é não conseguir nem voar pelo imaginário quando a cabeça cai na almofada. Na verdade tem noites em que o simples fechar de olhos me amedronta, não há melhor sítio que a escuridão para que todas as energias negativas se concentrem e abatam sobre o nosso pensamento. Enquanto tento adormecer caio no pesadelo e quando finalmente adormeço pesa-me o não pensar.

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One thought on “mind gushes #2

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