mind gushes #1

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Há muito tempo que não escrevo, na verdade há muito tempo que nem penso em escrever… Agarro de vez em quando o lápis mas não tenho coragem de agarrar também uma folha em branco ou um pedaço de qualquer coisa onde possa rabiscar palavras sem nexo. Não me lembro da última vez em que alguma coisa fez sentido, talvez por isso eu não escreva! Porque apesar de o que escrevo não ter qualquer fio condutor nem qualquer razão de ser,normalmente escrevo quando o momento é oportuno, e ultimamente nenhum momento é oportuno. Já perdi a conta ao número de vezes que entrelacei o lápis na mão e o fiz percorrer todos os meus dedos com uma vontade insana de deixar algo escapar mas sem o desbloqueio necessário para tal.

E sinto falta de escrever confesso-o a mim própria, às gentes que vão passando, às paredes, às flores, confesso-o mesmo que não me oiçam, confesso-o numa procura incessante por algum sinal, alguma inspiração, alguma ajuda, confesso-o vezes sem conta todos os dias e todos os dias a resposta é a mesma – nada e coisa nenhuma! E esta ansiedade de querer escrever e não conseguir está a dar cabo de mim porque as palavras vão-se acumulando em nós na garganta, no estômago, nos músculos, todo o meu corpo é consumido por uma fadiga inexplicável que não encontra cura nem no repouso do conforto nem no repouso das drogas. E eu quero escrever e ver-me livre deste cansaço, deste peso de alma e não consigo! Bloqueei sentimentos na esperança de conseguir extrair alguma felicidade interior e acabei por bloquear todos os canais, todas as veias, todas as entradas, todas as saídas, não tenho nada a fazer nem nada a dizer, nem a mim, nem a ninguém, nem mesmo a este caderno onde um dia comecei a escrever a minha história…

Finalmente o lápis começou a funcionar, já risquei umas dúzias de palavras mas nelas não encontro sentido nenhum e quem as ler também não há de encontrar porque se a minha triste existência não tem nexo porque haveria aquilo que eu escrevo de ter? Não me ocorre nada sobre o que escrever além desta falta de sentido das coisas, desta falta de propósito da vida. Então escrevo sobre nada e coisa nenhum, numa tentativa frustrante de dar algum significado a estas letras que alinhavo em frases tortas que nada dizem, nem a mim, nem a ninguém. Ainda assim, escrevo…

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One thought on “mind gushes #1

  1. It’s a joy to find soemnoe who can think like that

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